Coca-Cola e Pepsi alteram receitas

A Coca-Cola e a Pepsi vão alterar a receita das bebidas após ter sido detectado um componente potencialmente cancerígeno. Segundo a agência Reuters, testes químicos feitos a pedido do Center for Science in the Public Interest (CSPI) – uma associação de defesa do consumidor norte-americana com sede em Washington – mostram que os refrigerantes das duas marcas, tanto na versão normal como diet ou light, contêm níveis elevados de uma substância potencialmente cancerígena, 4-metilimidazol (4-MI), um produto usado para dar a cor caramelo características das bebidas. Estudos anteriores realizados em animais demonstraram que esta substância pode causar cancro, tendo as análises químicas efectuadas detectado valores de 145 a 153 microgramas de 4-MI em duas latas de 350 mililitros de Pepsi e entre 142 e 146 microgramas em duas latas de Coca-Cola. O problema do "corante de caramelo" destas bebidas é que, ao contrário do que se faz em casa, em que se mistura água e açúcar numa frigideira, a reacção do açúcar é obtida com o auxílio de amónia e sulfitos, sujeitos a altas pressões e temperaturas para se obter o metilimidazol, associado a tumores do pulmão, fígado, tiróide e leucemia. O CSPI já enviou uma petição para que a substância seja proibida nos Estados Unidos e enviou o documento à Food and Drug Administration - agência norte-americana que regula os alimentos e medicamentos -, pedindo também que o 4-metilimidazol não possa ser chamado apenas de "corante de caramelo" e que passe a ser designado por "corante de caramelo quimicamente modificado" ou "corante de caramelo obtido por processo de sulfito de amónia".
A American Beverage Association, que representa a indústria de bebidas americana, já reagiu e emitiu um comunicado afirmando que "a ciência não mostra que o 4-MI em bebidas ou alimentos representa uma ameaça à saúde humana". "É importante entender que uma pessoa precisaria de milhares de latas de refrigerante diariamente para atingir o número de doses equivalentes às administradas em estudos que mostraram relação com o cancro em ratos de laboratório", afirmou o porta-voz da FDA (Agência de Segurança Alimentar Norte-Americana), Douglas Karas. Também a Coca-Cola afirmou que vai solicitar ao seu fornecedor de corante de caramelo que baixe os níveis de 4-MI, embora garanta que a bebida, e todos os seus componentes, "é e sempre será segura". Segundo Ben Sheidler, porta-voz da Coca-Cola, a alteração serve apenas para que não haja rumores infundados, com base "alegadamente cientifica" de que o refrigerante provoca cancro. Também a Associação Europeia de Refrigerantes garantiu que o "corante de caramelo" é seguro e disse que os consumidores podem ter "confiança" que não potenciará o aparecimento de casos de cancro. "A Autoridade Europeia de Segurança Alimentar reafirmou a segurança do corante de caramelo em Março de 2011 numa revisão bibliográfica da literatura científica disponível", lê-se na nota de um comunicado emitido pela associação, que refere conclusões semelhantes reveladas em Novembro de 2011 no Canadá, mas desta vez relacionadas com doces. A Food and Drug Administration, que está a analisar o assunto, acalmou os consumidores afirmando que para ingerir as quantidades potencialmente cancerígenas seria necessário beber diariamente 1000 latas de Coca-Cola ou Pepsi para obter as quantidades de 4-metilimidazol a que os ratinhos foram expostos em laboratório.
Seja como for, tanto a Coca-Cola como a Pepsi optaram para já por alterar voluntariamente a receita para os níveis legalmente permitidos na Califórnia, ponderando reduzir a quantidade de corante em todos os Estados dos Estados Unidos no futuro, para facilitar a produção das bebidas. O mercado europeu não terá alterações no momento.

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