
O Natal aproxima-se a passos largos. Mas, afinal, o que é o Natal?
O Natal é um feriado tradicional comemorado em todo o mundo no dia 25 de Dezembro. Trata-se de um feriado cristão que é amplamente comemorado por muita gente que nem sequer é católica. Ouve-se muito dizer que o Natal era originariamente uma festa pagã destinada a celebrar o nascimento anual do deus do sol,
Natalis Invicti Solis, aproveitando-se do fenómeno do solstício de Inverno, que ocorre normalmente por volta do dia 22 de Dezembro no hemisfério norte. Os antigos e actuais pagãos, que desgraçadamente ainda existem, têm uma grande ligação com esta data: segundo alguns, monumentos como Stonehenge, no Reino Unido, foram construídos de forma a estarem orientados para o pôr do sol do solstício de Inverno e o nascer do sol no solstício de Verão. Entre os antigos romanos (pagãos), o período natalício marcava a Saturnália, em homenagem ao deus Saturno. Segundo os romanos, o deus persa Mitra, também por eles cultuado, teria nascido durante o solstício de Inverno. A Escandinávia pagã comemorava um festival de Inverno chamado
Yule e os escandinavos continuam a chamar o Natal de
Jul. Muitas outras divindades ligadas ao astro-rei eram em geral celebradas durante esta altura do ano também. A nova Enciclopédia de Conhecimento Religioso, de Schaff-Herzog, explica claramente o seguinte no seu artigo sobre o Natal: "Não se pode determinar com precisão até que ponto a data desta festividade teve origem na pagã Brumália (25 de Dezembro), que seguia a Saturnália (17 a 24 de Dezembro) e comemorava o nascimento do deus do sol, no dia mais curto do ano".

De acordo com a Wikipédia, os primeiros indícios da comemoração de uma festa cristã litúrgica do nascimento de Jesus no dia 25 de Dezembro é a partir do Cronógrafo de 354. Essa comemoração começou em Roma, enquanto que no Oriente o nascimento de Jesus já era celebrado em conexão com a Epifania, a 6 de Janeiro. A comemoração a 25 de Dezembro foi importada para o Oriente mais tarde: em Antioquia por João Crisóstomo, no final do século IV, provavelmente em 388, e em Alexandria somente no século seguinte. Antes do século IV os cristãos eram poucos, embora estivessem aumentando em número, e eram perseguidos pelo império e pelos pagãos. Porém, o imperador Constantino determinou o fim da perseguição aos cristãos e elevou o Cristianismo a um nível de igualdade com o paganismo, passando assim o mundo romano a aceitar a nova religião cada vez mais popularizada e em grande crescimento. Mas devem os cristãos comemorar o Natal, essa festa que era pagã? Existem bases bíblicas para rejeitar tudo ou parte do Natal?
O argumento básico e comum apresentado contra o Natal é o de que ele não se encontra na Bíblia. Muitos falsos cristãos (protestantes), em particular seitas como as Testemunhas de Jeová, acreditam que, ao não estar mencionado nas Escrituras, não é portanto algo para ser observado. De facto, as Testemunhas argumentam que Deus tem uma visão obscura a respeito da celebração dos aniversários em geral por causa do Faraó (Génesis 40, 20-22) e do Herodes (Mateus 14, 6-10), e, como tal, consideram-se no direito de achar que Deus não aprovaria a celebração do aniversário de Jesus. Curiosamente, a Bíblia nada diz contra a prática da celebração de aniversários. Não há nenhuma proibição bíblica em relação à celebração dos aniversários, mas sim em relação às práticas más nos mesmos (Faraó matou o chefe dos padeiros e Herodes matou João Baptista). Segundo, o que a Bíblia não proíbe, seja explicitamente ou por implicação de alguns princípios morais, é permitido ao cristão, enquanto for para edificação (Romanos 13,10; 14,1-23; I Coríntios 6,12; 10; 23; Colossenses 2,20-23; etc.). Portanto, desde que a Bíblia não proíba aniversários, e eles não violarem os princípios bíblicos, não há nada que impeça a celebração dos aniversários, logo não há razões bíblicas para rejeitar completamente a celebração do aniversário de Jesus.
O 25 de Dezembro é tido como sendo o aniversário de Cristo, data que a Igreja Católica terá aproveitado para acabar com o culto pagão ao deus do sol. Questiona-se ainda hoje em dia se Cristo terá realmente nascido no dia 25 de Dezembro, facto que por si só é irrelevante. Seja como for, em relação a isso, aconselho uma leitura
desta entrada do meu blogue.
Mesmo que Cristo não tenha realmente nascido no dia 25 de Dezembro, será que esse facto invalida o Natal? Não, não invalida. Não é realmente necessário para a celebração do aniversário de alguém que seja comemorado na mesma data do seu nascimento. Os americanos comemoram os aniversários de Washington e Lincoln na terceira segunda-feira de Fevereiro todos os anos, ainda que o aniversário de Lincoln seja no dia 14 de Fevereiro e o de Washington no dia 22 de Fevereiro. Se Cristo tivesse na verdade nascido no dia 30 de Abril, deveríamos então celebrar o Natal nesse dia? Enquanto que não haveria nada de errado com tal mudança, não seria necessário. O propósito é o que importa, não a actual data.
O nascimento de alguém é sempre um motivo natural de alegria. Por isso todos os homens sempre comemoraram a sua data de nascimento. Não há família que, na medida de sua possibilidade, não faça festa, alegrando-se com o aniversário dos seus, especialmente dos familiares mais queridos. Foi assim com os reis antigos e modernos (Napoleão fazia comemorar o seu nascimento a 15 de Agosto) que consideravam o seu nascimento como um motivo de felicidade para os povos que governavam. Ora, se muitos reis se iludiam com a falsa felicidade que traziam aos seus povos, essa ilusão não cabe no nascimento de Jesus. Logo, não se deveria festejar o nascimento do "esperado das nações", como diz a Sagrada Escritura? Não há nada mais natural e certo que comemorar o nascimento do Salvador! Segundo relatos do Evangelho, dá para saber que Deus mandou os anjos do céu para comemorar o nascimento de Jesus. Se até os anjos do céu, que não foram redimidos pela encarnação do Verbo, comemoraram o nascimento de Jesus, que é nosso Deus e Salvador, que diremos nós que fomos salvos por Ele? É comemorando o Natal de Cristo que podemos imitar os anjos que cantaram quando Ele nasceu: "Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens de boa vontade". Os homens de má vontade - os Herodes daquele tempo e de hoje - é que se recusam a comemorar o nascimento de Jesus.
E o facto de ser 25 de Dezembro a data de um ultrapassadíssimo festival pagão, isso não prova que o Natal é pagão? Não, não prova coisa nenhuma. Pelo contrário: prova que o Natal foi estabelecido como um rival da celebração do festival pagão. Se os pagãos festejavam o solstício de Inverno, era esse um motivo a mais para Jesus nascer nesse tempo, para mostrar que Ele venceu os ídolos e o paganismo. Se a Igreja vitoriosa fez comemorar com mais pompa o nascimento de Cristo para fazer com que o povo, que vinha do paganismo, se esqueça das festas dos ídolos, ela agiu com sabedoria, pois só fica destruído totalmente o que é substituído.

O que se verifica muito hoje em dia, através de um processo que já começou há imenso tempo, é uma substituição para destruir o Natal com o maldito Pai Natal, inventado exactamente para que o povo se esqueça do nascimento do Salvador.
De onde surgiu o Pai Natal? O Pai Natal é, na verdade, a versão paganizada do bispo São Nicolau. Este grande santo nasceu no século III em Patras (Grécia), no seio de uma família rica. Com a morte dos pais, Nicolau decidiu oferecer todos os seus bens aos outros e optou pela vida religiosa. Foi ordenado sacerdote com 19 anos e logo arcebispo de Mira. A sua fama de generosidade com as crianças percorreu fronteiras, atribuindo-se a ele todo o tipo de milagres e lendas. A uma delas lhe deve o mito de distribuir presentes. A famosa lenda do sapatinho também é, na verdade, do São Nicolau. No século XI, o roubo dos seus ossos catapultaram-no para a fama por toda a Europa. A Contra-Reforma Católica supôs que, sem renunciar ao dia da sua festividade, dia 6 de Janeiro, se passasse a entregar os presentes no dia 25 de Dezembro, tal como fazia o Menino Jesus, segundo a tradição daqueles tempos e que ainda hoje continua em alguns pontos da América Latina. Infelizmente, a partir do século XIX, São Nicolau foi a pouco e pouco transformado: adquiriu estatura, barriga, mandíbula, barba, bigode branco e começou a "aparecer" no Pólo Norte. Depois passou a ser utilizado pela publicidade comercial. Em 1931, a Coca-Cola encomenda ao artista Habdon Sundblom a remodelação do "Santa Claus de Nast" para torná-lo ainda mais próximo e verossímil. Sundblom inspira-se num vendedor aposentado e a campanha de Natal tornou-se um grande sucesso.
E assim nasceu o Pai Natal como hoje é conhecido, essa figura na qual eu felizmente nunca acreditei.