Ainda sobre Mohamed Merah...

Veio-se a saber agora que Mohamed Merah afinal foi atingido com pelo menos 20 tiros, principalmente nas pernas e nos braços, quando estava de costas para os agentes da equipa policial que tomaram de assalto o apartamento onde o franco-argelino muçulmano se barricou durante 32 horas. O Jornal de Notícias, que citou outro jornal, informa que os dois tiros fatais atingiram-no no abdómen e na cabeça. O procurador da República de Paris, François Molin, disse, e bem, que a polícia agiu "em legítima defesa".

Diversos dirigentes advertem agora para o eventual aumento do racismo e da estigmatização do islão em França como consequência dos acontecimentos em Toulouse. Curiosamente, não tiveram os mesmos escrúpulos quando antes de se saber que o autor do crime era muçulmano se alvitrava que se calhar era um nazi e portanto a culpa se calhar era da Frente Nacional (FN) e de Sarkozy por alegadamente terem criado um ambiente xenófobo favorável a este tipo de acções, estigmatizando toda uma ideologia que parece estar cada vez mais a ganhar simpatia entre os franceses. Como já toda a gente sabe que o criminoso era um muçulmano, o candidato presidencial da esquerdalha, Melanchon, declarou: "o nosso primeiro dever é lutar contra as estigmatizações odiosas que podem derivar-se destes acontecimentos". Marine Le Pen denunciou os ataques dos quais ela e o seu partido foram alvos por parte da escumalha esquerdista e os mé(r)dia, mas agora estes acusam-na de manipular politicamente a tragédia. Ou seja, por outras palavras, a Marine Le Pen é sempre má: é má por alegadamente criar um ambiente propício ao crime da extrema-direita e má também por tentar capitalizar politicamente um crime que afinal até foi cometido por um muçulmano. Pelo menos numa coisa a líder nacionalista tem razão: o homicida em questão deve ser considerado como um muçulmano antes de ser considerado como francês e acusou o governo de permitir aos radicais islâmicos o controlo dos subúrbios das grandes cidades, exigindo a revisão da política de segurança. "O governo está assustado", disse Le Pen, em entrevista à rádio France Info, e continuou: "tenho andado a dizer isto há dez anos. Bairros inteiros estão nas mãos de fundamentalistas islâmicos e reitero que se subestimou este perigo."

Um jornal francês publicou o testemunho de uma mulher a dizer que tinha avisado as autoridades para o perigo que Merah representava para a sociedade. A mulher, que permanece no anonimato, contou ao Le Télégramme que, além dos avisos repetidos à polícia, tinha também apresentado duas queixas contra Merah, que vivia no mesmo bairro que ela. Afirmou que no Verão de 2010 o suspeito tentou recrutar o filho desta testemunha, de 15 na altura, querendo levá-lo para as fileiras da jihad convidando-o para isso a entrar no seu automóvel, onde o fez ouvir um disco a pregar a "guerra santa", para além de lhe ter oferecido um Alcorão e uma enorme espada. Merah forçou-o também a ver vídeos da Al-Qaeda em que mulheres eram abatidas e reféns no Afeganistão eram decapitados. A mulher apresentou então a primeira queixa à polícia, o que enfureceu Merah, que foi para a frente de casa dela para a ameaçar e bater-lhe, dizendo que ela era ateia e tinha de pagar caro tal como o resto dos cidadãos franceses. Mais reportou, a cidadã, que Merah prometia "varrer todos os que matam muçulmanos" e que, dois dias depois deste incidente, agrediu-a, agrediu o seu filho e também a sua filha diante de testemunhas oculares, sem que todavia alguém interviesse. E afirmou ter a cópia da queixa que então apresentou, bem como os documentos do médico da filha. Segundo a mulher, o irmão de Merah, Abdelkader, que está neste momento sob custódia policial, é que lhe fazia a lavagem cerebral e "viajava frequentemente para fora de França". A questão que se coloca é: porque é que Merah não foi expulso de França depois desse incidente? Se a elite reinante francesa tivesse feito aquilo que lhe competia, a esta hora as sete vítimas ainda estariam vivas...

Uma professora foi suspensa ontem depois de pedir aos seus alunos que fizessem um minuto de silêncio em memória de Merah, que segundo ela é uma "vítima cujos vínculos com a Al-Qaeda foram inventados pelo presidente Nicolas Sarkozy"! Segundo o site do jornal Paris Normandie, a professora de inglês, de 56 anos, de uma escola de Rouen (nordeste de Paris), pediu aos alunos da sua turma que fizessem um minuto de silêncio pelo criminoso. Uma parte dos alunos se negou a atender ao seu pedido e abandonou a sala, segundo o ministério da Educação, e os representantes da turma escreveram uma carta que relata o sucedido. "A professora disse claramente que Merah era uma vítima, que o vínculo com a Al-Qaeda foi inventado pela imprensa e por 'Sarko' (Sarkozy)", segundo a carta publicada pelo jornal. O ministro da Educação, Luc Chatel, pediu a suspensão imediata da professora e condenou sem reservas o que chamou de "comportamento inqualificável"...

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