O grupo Jerónimo Martins, de Alexandre Soares dos Santos (o segundo homem mais rico de Portugal), anunciou ter vendido a participação da sociedade Francisco Manuel dos Santos, detentora de 56% da Jerónimo Martins, a uma subsidiária holandesa, o que gerou uma forte contestação cá no burgo. Com a transferência da sede para a Holanda, a Jerónimo Martins beneficiará de isenção de tributação de dividendos e taxas mais baixas. Cada vez mais empresas portuguesas e mundiais estão a escolher a Holanda para parquear capitais, ou seja, para proceder à fuga fiscal.Segundo entendidos, a equipa responsável pela marca Pingo Doce poderá ter de fazer "gestão de crise" nas próximas semanas. A transferência da participação do grupo para uma subsidária na Holanda pode ser "desastrosa" e "negativa" do ponto de vista da marca. Para Carlos Coelho, da Ivity Brand Corp, que gere a marca Coca-Cola em Portugal, a decisão revelou-se "inconsistente. Uma marca não pode ter um discurso de portugalidade numa área, e um discurso de aproveitamento fiscal na outra": "Uma empresa tem obrigação de preservar os seus activos e é inegável que há um problema de competitividade fiscal em Portugal. Mas, enquanto marca, esta decisão pode ser desastrosa, porque a comunicação do Pingo Doce é uma das que mais apela à portugalidade". Para o especialista, os consumidores "não estão só atentos às promoções" e "poderão considerar os anúncios hipócritas".
Nas redes sociais já se apela ao "Boicote ao Pingo Doce". Na página do grupo "Salário mínimo holandês para os trabalhadores do Pingo Doce já" pode-se ler o seguinte: "no mínimo devia pagar o salário mínimo holandês aos seus trabalhadores", com o próprio proprietário da página a informar que são "1.388,60 euros por mês". O Twitter oficial do Pingo Doce foi invadido por centenas de comentários negativos e apelos ao boicote da marca.
Voor jou in het nederlands: ik hou van jou, Pingo Doce!
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