Barcelona nas «meias»

O Barcelona apurou-se para as meias-finais da Taça do Rei depois de ter empatado em Camp Nou com o Real Madrid a duas bolas, beneficiando da vantagem conquistada na semana passada no Santiago Bernabéu (2-1). O resultado foi, para quem viu o jogo, tremendamente injusto para os da capital espanhola. Na primeira parte ficou a sensação de que o campo estava inclinado a favor dos da casa, com dois lances polémicos dentro da área da baliza à guarda do habitual suplente de Valdés (Pinto), que poderiam ter ditado outro desfecho na eliminatória. O Real Madrid entrou a todo o gás disposto a contrariar o favoritismo catalão, mas sucessivas oportunidades falhadas em catadupa - o avançado argentino Higuaín perdeu três oportunidades flagrantes de golo (1, 3 e 28 minutos) e o turco-alemão Özil chutou à barra num grande remate (26 minutos) - apenas comprovaram que no futebol a justiça é uma coisa muito relativa, pois só ganha quem marca e não necessariamente quem melhor joga. Não marcou o Real quando pôde, fê-lo o Barça: depois dos primeiros 43 minutos de jogo, dominados pelos merengues, os blaugrana marcaram dois golos em apenas 4 minutos, por intermédio de Pedro (que substituiu o lesionado Iniesta), após passe de Messi, e Daniel Alves (com um grande remate sem preparação). Na segunda parte, o Real teve uma grande atitude depois da entrada de Granero, Callejón e Benzema. Cristiano Ronaldo reduziu a desvantagem na eliminatória e Benzema igualou a partida, mas ainda ficou a faltar um golo para o colosso madridista seguir em frente. Tal não aconteceu por pouco e o Barcelona tremeu, como nunca, mas lá conseguiu segurar a preciosa vantagem, quanto mais não seja porque o árbitro Fernando Teixeira Vitienes fez questão de voltar a prejudicar o Real ao expusar de forma patética o lateral Sérgio Ramos.
No final do encontro, José Mourinho insinuou que é impossível ganhar ao Barcelona em Camp Nou: "ouvi no balneário que é impossível ganhar aqui". Por sua vez, o técnico culé Pep Guardiola disse que a sua equipa foi uma justa vencedora e que ele sofreu mais em Sevilha quando a equipa local reduziu a desvantagem para 3-2 (vitória do Barça). O autor do segundo golo catalão, o brasileiro Daniel Alves, afirmou que o Real Madrid que se apresentou ontem em Camp Nou é uma "versão do Real Madrid que mais problema nos cria" e que sofreram até ao apito final. Já o guarda-redes Iker Casillas decidiu deitar achas para a fogueira quando disse, no túnel para os balneários, que ao árbitro ia para a festa do Barça: "Teixeira, agora vais para a festa do Barça. (...) Até me deu um cartão amarelo quando tentava separar os jogadores".
Para a história fica mais uma vitória do Barça sobre o Real, passando agora os catalães a ter a vantagem nos confrontos entre os dois colossos. E ao fim de dez confrontos entre os dois velhos rivais desde que José Mourinho está no Real Madrid, os da capital só por uma vez bateram os da Catalunha, na final da Taça do Rei na época passada (golo de Cristiano Ronaldo nos descontos). Seja como for, com a super equipa que tem, o Barcelona não precisava de ganhar assim. Ou vá lá, empatar assim...

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