O que não falta neste país é gente com vontade de emigrar, quanto mais não seja para cumprir com as sugestões que vieram do governo. Segundo a agência Ecclesia, que citou o coordenador nacional da Pastoral das Missões da Igreja na Suíça, há emigrantes portugueses que "têm batido à porta das missões católicas em busca da alimentação e dormida" todos os dias, acrescentando que no último ano entraram na Suíça cerca de 11 mil portugueses iludidos com a possibilidade de ter uma vida melhor. O padre Aloísio Araújo relatou que a maioria dos emigrantes encontra "grandes dificuldades" no país helvético devido a um mercado de trabalho "saturado" e cada vez mais competitivo: "Chegam não só portugueses mas também pessoas dos países de leste ou do norte da Europa, que procuram emprego mas não o encontram ou trabalham precariamente porque o mercado está saturado e os salários também desceram".João Carita, um formado em jornalismo de 23 anos, quer ir para a Suíça com a namorada na esperança de encontrar melhores condições de vida, recusando a ideia de pertencer à "geração dos 30 anos que ainda está na casa dos pais" e, por isso, desistiu de procurar emprego em Portugal, o mesmo acontecendo com sua a namorada, desempregada licenciada em enfermagem. "Da parte dela é quase impossível porque não há abertura de vagas para os hospitais. Em relação a mim, embora tenha uma vasta experiência, esta acaba por me condicionar. Não me sujeito a tudo aquilo a que recém-licenciados se sujeitam", frisou. A esperança de encontrar emprego depois de concluído o curso desvaneceu-se: "Assim que saí da faculdade a primeira ideia era entrar no mercado do trabalho, no meio do jornalismo, e experimentei estágios não remunerados. Fiz disso para começar a ganhar o meu espaço, mas acabo por não ter nenhum espaço garantido. Se em Portugal não dá, temos de procurar o nosso lugar noutro sítio do mundo. Isto não é rejeitar o nosso país e aquilo que temos de bom, mas é tentar encontrar o nosso espaço e depois, eventualmente, voltar". Até lá, que consigas ser jornalista na Suíça, João...
O português José Coutinho da Silva, que vive em Orléans, a 150 km a sul de Paris, descreveu assim a actual emigração lusa: "São jovens de 18/35 anos, chegam com filhos muito pequenos, primeiro através de empresas de recrutamento, agora e cada vez mais pelas redes familiares ou de vizinhança que os acolhem em casa, ajudam-nos a encontrar trabalho essencialmente na construção civil, nos serviços domésticos e de limpeza industrial”. Os 30 mil emigrantes que, segundo as estimativas, chegam anualmente a França, "beneficiam da imagem de bons trabalhadores da imigração portuguesa", mas têm de enfrentar "a concorrência desenfreada no mercado do trabalho", o que implica baixar o salário e trabalhar sem estar registado.
Emigrai e boa sorte...
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