Saltos altos, não!

A democracia parida pela Primavera Árabe já está a dar os seus primeiros frutos no Egipto depois da recente emergência do salafismo islâmico. O influente Mustafa al-Adawi lançou uma fatwa (ordem da lei islâmica) que proíbe todas as mulheres de usar sapatos de salto alto, excepto se estiverem em casa, por considerar as mulheres que calcem esse tipo de sapatos como "uma fonte de sedução para os homens". "A mulher só pode calçar saltos altos para o seu marido mas não pode ser fora da sua casa", disse al-Adawi. Um outro clérigo islâmico, Sheikh Mahmoud Amer, também lançou uma fatwa, mas esta trata-se da proibição dos muçulmanos de votar em candidatos coptas ou muçulmanos que não sejam suficientemente muçulmanos. "É proibido pelo islão votar neles; quem o fizer incorre num pecado grave", disse Amer. Um pecado grave? A punição é bem capaz de ser a pena de morte...
Ora aí está a democracia conquistada com muito sofrimento por parte do povo egípcio, e defendida com unhas e dentes por imensos idiotas úteis do Ocidente, a funcionar em todo o seu esplendor! O caso torna-se particularmente preocupante quando um proeminente candidato parlamentar salafista do Egipto, Abdel Moneim al-Shahat, já veio a público dizer que a democracia é uma "forma de apostasia" e considerou as obras do Nobel Naguib Mahfouz como sendo "literatura ateia".
E assim os egípcios papam aquilo que escolheram papar...

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