«Sharia» para a Líbia

As mulheres que festejaram efusivamente na Líbia nos dias depois da morte de Kadhafi podem agora começar a temer pelas suas vidas: vem aí a sharia para governar o país, confirmando-se assim aquilo que eu e muitos já esperávamos. O líder transitório da Líbia, Mustafa Abdul-Jalil, declarou perante milhares de apoiantes em Bengasi a libertação do país três dias depois da morte do Khadafi e afirmou que a lei islâmica será a base da lei no país e que todas as leis que contradigam os princípios do islão serão anuladas. Serão também criados novos bancos que seguirão o modelo bancário islâmico e que proíbe cobrar taxas aos clientes. “Nós, como nação muçulmana, consideramos a sharia como principal fonte de lei”, declarou Mustafa Abdul-Jalil. A maior parte dos países muçulmanos consideram a sharia a fonte principal de direito. Alguns aplicam-na de forma radical, como os países do Golfo, Irão, Afeganistão, Paquistão, Arábia Saudita e alguns países africanos. Pelo contrário, no Egipto ou na Síria aplica-se uma versão mais moderada da lei islâmica... até ao momento.
Resta agora saber como será a nova Líbia... Acho que as mulheres líbias podem já mentalizar-se para a perda dos direitos conquistados (segundo o Alcorão, o testemunho de uma mulher vale metade da de um homem) e para a possibilidade de haver lapidações e outras execuções com tortura. Algo me diz que os líbios ainda vão sentir saudades do Kadhafi. O mais engraçado é a corja jornalística falar tão bem da Primavera Árabe, pois depois dela brilhariam a democracia, o pluralismo e os Direitos Humanos... brilhariam supostamente, pois os coptas estão agora a ser ainda mais perseguidos no Egipto, cada vez mais inclinado para a adopção da verdadeira sharia, e na Tunísia um partido islâmico "moderado" já venceu as eleições...

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